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Por que vender o carro ficou mais difícil em 2026 (mesmo com o mercado batendo recorde)

05 de setembro de 2026 · 5 min de leitura

Por que vender o carro ficou mais difícil em 2026 (mesmo com o mercado batendo recorde)

O mercado de veículos seminovos e usados no Brasil bateu recorde histórico: segundo a Fenauto, foram 18,5 milhões de unidades comercializadas em 2025, o maior volume da série iniciada em 2011, com ritmo positivo mantido nos primeiros meses de 2026. Só que recorde de vendas não significa que vender ficou mais fácil — para boa parte dos donos de carro, ficou justamente o contrário.

O motivo que pega muita gente de surpresa

Dois movimentos estão acontecendo ao mesmo tempo, e raramente são discutidos juntos: mais gente precisando vender com urgência, e mais concorrência disputando a atenção de quem está comprando.

Inadimplência bateu recorde justo agora

Em 2026, a taxa de inadimplência no crédito livre para pessoas físicas atingiu 7,8%, o maior nível da série histórica do Banco Central, iniciada em 2011. No crédito consignado privado, o índice chegou a 10% — também inédito. Segundo a Serasa, o Brasil registrou 81,7 milhões de pessoas inadimplentes em fevereiro de 2026. Olhando especificamente para financiamento de veículos, o índice de inadimplência ficou em torno de 5,6% no ano.

Na prática, isso empurra muita gente para a decisão de vender o carro antes que a situação piore: basta atraso de poucas parcelas para o banco ter base legal para pedir a busca e apreensão do veículo — e mesmo depois de retomado, o saldo devedor muitas vezes continua existindo, deixando o antigo dono sem carro e ainda devendo.

Ao mesmo tempo, ficou mais difícil se destacar

Enquanto mais gente precisa vender rápido, o outro lado do mercado também mudou. Financiamento mais competitivo para veículos 0km e maior chegada de carros novos aumentaram a concorrência entre quem vende usado, pressionando os preços para baixo. Dados da Localiza mostram a depreciação média por veículo subindo de R$ 7.501 no segundo trimestre de 2025 para R$ 8.243 no mesmo período de 2026 — sinal de que o valor de revenda está encolhendo, mesmo com o volume de vendas em alta.

O erro que piora tudo: anunciar em todo canto

Existe ainda um erro comum que agrava esse cenário. Segundo Miguel Henrique Souza, CEO da Vaapty, rede especializada em intermediação de venda de veículos, excesso de exposição do anúncio pode gerar o efeito contrário ao esperado: passa a sensação de urgência ou dificuldade de venda, o que derruba o valor percebido do carro. Estratégia e posicionamento importam mais do que estar em todos os classificados ao mesmo tempo.

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O que isso significa para quem precisa vender agora

É exatamente nesse ambiente que vender sozinho, sem estratégia e sem qualificação de quem está do outro lado da negociação, custa caro: ou o carro fica meses parado perdendo valor, ou o dono aceita a primeira oferta ruim só para resolver logo. Entender os dois lados desse cenário — inadimplência recorde de um lado, mercado mais competitivo do outro — é o primeiro passo para tomar uma decisão melhor sobre quando e como vender.

Fontes citadas no texto: Fenauto (Federação Nacional das Empresas Distribuidoras de Veículos Automotores), Banco Central do Brasil, Serasa, Localiza (dados via InvestNews), e Vaapty (via Correio Braziliense).